A cada ano, as instituições de ensino superior formam cerca de 600 mil profissionais, segundo o Ministério da Educação. Mas nem todos os alunos que concluem o ensino superior conseguem se estabelecer profissionalmente na área em que escolheram.
Além dos postos serem restritos, a realidade é que o mercado simplesmente não consegue absorver a grande quantidade de profissionais disponíveis. Nesse cenário, é preciso buscar novas formas de se ocupar uma posição no mercado.
Segundo o especialista em Sociologia do Trabalho Luiz Guilherme Brom, professor da FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), quem deseja ter sucesso precisa aprender a enxergar as características do mercado e as diversas possibilidades de trabalho que a profissão escolhida oferece, procurando atividades correlatas e descobrindo novas opções.
"Quanto mais bem preparado e criativo o profissional for, menos sofrerá o impacto das instabilidades do mercado de trabalho", diz. Para ele, que há oito anos estuda o tema da educação para o trabalho, existe uma diferença entre formação e ocupação, por isso nem todos que se formam em uma determinada área atuam nela obrigatoriamente.
"As oportunidades nas profissões tradicionais estão cada vez mais escassas, por isso é tão importante estar atento aos movimentos laterais do mercado. Não é raro vermos engenheiros trabalhando com Marketing e médicos na área de Gestão", diz ele, que também dirige o Centro de Estudos Interdisciplinares do Trabalho (CEIT), da Fecap.
No Brasil, o diploma num curso superior, que há até pouco tempo era um sinal de ascensão social, quase um objeto de desejo, é hoje apenas o ponto de partida para quem quer se fortalecer na carreira. Também pudera, diante da grande concorrência.
Existem mais de 18 mil cursos superiores em todo o país, que concentram uma população universitária de quase 4,2 milhões pessoas, de acordo com dados do último Censo da Educação Superior. Para piorar, existe uma lacuna entre o perfil dos profissionais que entram no mercado de trabalho e as necessidades das empresas.
Nesse momento, dizem os especialistas, o desafio para as instituições de ensino é justamente oferecer uma formação ampla, mas ao mesmo tempo direcionada, capaz de preparar o aluno a enxergar nesses movimentos oportunidades de sucesso.
O lado positivo, defendem, é que os limites entre as profissões estão cada vez mais tênues e as chances aparecem para quem olha para fora. "A idéia do conhecimento compartimentado é uma ilusão. O mundo quer pessoas múltiplas", diz Brom.
Educação Superior em números (*)
- Em 1997, existiam 900 instituições de ensino superior no Brasil. Em 2004 este número aumentou para 2.013, sendo que 1.978 são particulares.
- No mesmo período, o número de ingressantes nos cursos de graduação saltou de 574 mil para 1,3 milhão.
- Dos graduados em 2004, 72% são provenientes de instituições de ensino superior privadas e 28% das públicas.
- Os cursos mais procurados são Direito, Administração e Pedagogia, que juntos somam mais de 30% do total de pessoas graduadas